Projeto de lei prevê detenção para candidatos a vagas que apresentarem dados falsos nos processos de recrutamento
Inglês básico ou fluente? Domínio de algum software ou ferramenta diferencial? Na dúvida e com o objetivo de conquistar o recrutador, muitos profissionais turbinam o currículo além das verdadeiras referências. Mas, para quem opta pela “mentirinha”, um alerta especial: falsificar o documento poderá levar o profissional a ser enquadrado no Código Penal com direito à detenção de dois meses a dois anos. Essa é a proposta de um projeto de lei que tramita na Câmara dos Deputados.
De autoria do deputado Carlos Bezerra (PMDB-MT), o projeto considera o currículo um documento e, portanto, sua falsificação deve ser passível de punição.
– Muitas vezes, a empresa acaba comprando gato por lebre – lembra Eliane Figueiredo, diretora-presidente da
Projeto RH.
Dessa forma, as mentirinhas podem gerar prejuízos pessoais e corporativos. Por exemplo: um candidato
mentiroso pode sair na frente em uma seleção e não só atrapalhar a entrada de alguém mais qualificado na
empresa, como também passar por uma situação constrangedora porque afirmou ter uma capacitação que não
existia.
Carmen Cavalcanti, diretora da Rhaiz Soluções em Recursos Humanos, lembra que em certa seleção precisou de
um profissional com carteira de motorista, e, durante as entrevistas e pedido de documentos, vários candidatos
não tinham CNH, ao contrário do que constava em seus currículos.
– É uma situação chata para a pessoa e para o recrutador, que precisa dizer que constatou a mentira – afirma.
Ciente dos possíveis currículos fraudulentos, a maioria das empresas já faz a checagem prévia das referências
dadas e, durante a entrevista com o candidato, as informações são confrontadas com o próprio para autenticar a
veracidade. Por isso, os especialistas em recrutamento são unânimes em afirmar que o projeto de lei é drástico
demais.
– Uma medida como essa vai congestionar ainda mais o nosso Judiciário – acredita Márcia Garcia, diretora do
Grupo Labor.
– Se detectamos a mentira, esse profissional é automaticamente excluído dos nossos bancos de seleção – reforça
Fábio Saad, gerente da Robert Half Recrutamento.
De acordo com as recrutadoras consultadas, que possuem em seus bancos de dados de 15 mil a 70 mil cadastros,
a média de currículos com alguma informação mentirosa é de 5 a 10%. E, muitas vezes, o erro advém da falta de
autocrítica do candidato sobre suas capacitações. Assim, como o projeto só prevê a detenção e não cita quais
seriam os critérios para a medição do tempo de reclusão do profissional que falsifique seu currículo, essa seria
uma situação passível de injustiças. O idioma, por exemplo, é o campeão de confusões.
– Tem aquele sujeito que acha que é fluente em inglês, mas é intermediário – explica Fábio Saad, gerente da
Robert Half.
Nenhuma recrutadora contrata antes de averiguar a autenticidade das informações dadas, dessa maneira, o
melhor é não mentir.
– A mentira pode gerar uma situação de estresse, uma cilada para você mesmo – diz Carmen.
automaticamente excluído dos nossos bancos de seleção – reforça Fábio Saad, gerente da Robert Half
Recrutamento.
De acordo com as recrutadoras consultadas, que possuem em seus bancos de dados de 15 mil a 70 mil cadastros,
a média de currículos com alguma informação mentirosa é de 5 a 10%. E, muitas vezes, o erro advém da falta de
autocrítica do candidato sobre suas capacitações. Assim, como o projeto só prevê a detenção e não cita quais
seriam os critérios para a medição do tempo de reclusão do profissional que falsifique seu currículo, essa seria
uma situação passível de injustiças. O idioma, por exemplo, é o campeão de confusões.
– Tem aquele sujeito que acha que é fluente em inglês, mas é intermediário – explica Fábio Saad, gerente da
Robert Half.
Nenhuma recrutadora contrata antes de averiguar a autenticidade das informações dadas, dessa maneira, o
melhor é não mentir.
– A mentira pode gerar uma situação de estresse, uma cilada para você mesmo – diz Carmen