Qualificar-se como “leiga” desqualifica candidata, afirmam consultores
Maria Carolina Nomura
O currículo de uma mulher de 36 anos que busca estágio na área de Design Gráfico foi o escolhido para ser analisado pelos consultores convidados pelo iG Empregos.
Segundo Eliane Figueiredo, diretora-presidente da Projeto RH, o que mais compromete o documento é o fato de a candidata ter se qualificado como “leiga” na área em que pretende atuar.
Vanessa Nascimento Barbosa, proprietária da Cubo Idéias, empresa do setor, aponta que os conhecimentos que ela tem em informática a prejudicam. “Ela não informou ter nenhum domínio em Corel Drawn, Photoshop ou Illustrator, que são os programas que usamos na área. Portanto, teríamos que ensiná-la”, diz.
Vanessa afirma que ela não precisaria informar que não concluiu a faculdade de Artes Plásticas, mas deveria demonstrar mais interesse em trabalhar na parte gráfica.
Currículo enviado pela internauta
Confira a análise feita pela consultora Eliane Figueiredo:
* O currículo está poluído: ela não utiliza o mesmo tipo de fonte, a distribuição no papel também é um pouco desorganizada, com espaços que não seguem o mesmo padrão. Se pensarmos que ela pretende uma posição na área de Design, essa questão da estética seguramente é mais considerada do que para cargos de outras áreas. Assim, ela deveria ser mais focada.
* O texto tem erros gramaticais. Por exemplo, “curso” ao invés de “cursos”, “design gráficos” ao invés de “design gráfico”. Isso é inadmissível em um currículo.
* No campo “Objetivo”, o ideal seria colocar a “Área de Design Gráfico”, de modo mais aberto, sem especificar cargo, uma vez que ela já tem 36 anos e alguma experiência profissional. “Estágio”, nesse caso, não seria o mais adequado.
* No campo “Qualificação extracurricular”, além de ser uma categoria não utilizada, os itens apontados estão um tanto vagos. Por exemplo, não se sabe se ela participou das exposições citadas como expositora ou se apenas visitou. Também foram descritos alguns cursos, ou seja, está tudo muito misturado e sem foco. Sugerimos eliminar essa categoria e agrupar os itens realmente relevantes no campo “Cursos” ou “Exposições”, caso ela tenha sido expositora. Se foi apenas visitante, a informação pode ser excluída.
* No campo “Experiência profissional”, a estética está ruim. O último item está confuso, já que a data está separada da empresa, no caso do Auto Posto. Existem lacunas entre os trabalhos. Uma boa sugestão é relatar algumas atividades em que ela tenha experiência.
* O principal problema do currículo é a frase: “Na área pretendida em Design Gráfico completamente leiga”. Essa descrição com certeza prejudicará a sua contratação. Se ela já está estudando Design Gráfico, se supõe que tenha algum conhecimento, nem que seja mínimo. Por exemplo, na faculdade pode estar aprendendo a utilizar o Photoshop, Corel Draw, entre outros. Então, a melhor opção é acrescentar esses itens, apontando que o curso ainda está em andamento.
* O tipo de papel utilizado não favorece, mas se fosse apenas isso não haveria problema. O mais importante seria que fossem modificados os itens apontados anteriormente.
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Em virtude do grande número de currículos recebidos, nem todos são analisados. O iG Empregos procura selecionar currículos cuja análise possa servir de exemplo também a outros profissionais.